sábado, 13 de dezembro de 2008

### 13 – Conditionis humanae oblitus.

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Quem vive entre pessoas é seduzido sempre de novo pela hipótese de que a maldade moral e a incapacidade intelectual estão estreitamente vinculadas, na medida em que derivam diretamente de uma raiz única. Que isso não procede, expus detalhadamente no segundo volume de minha obra principal, cap. 19, Nr. 8. Esta aparência, derivada simplesmente do fato de ambas serem freqüentemente encontradas juntas, deve ser explicada totalmente pela ocorrência muito grande de ambas, em conseqüência do que facilmente se conclui que ambas devem residir sobre o mesmo teto. Contudo não há como negar que uma conduz à outra, para proveito recíproco, graças ao que se produz este infeliz fenômeno tal como apresentado por demasiadas pessoas, e o mundo caminha do jeito que o faz. A ausência de entendimento é favorável à revelação clara da falsidade, da baixeza e da maldade; enquanto a esperteza sabe melhor oculta-las. E quantas vezes, por outro lado, a perversidade do coração impede o homem de reconhecer verdades perfeitamente acessíveis a seu entendimento?

(...)

Mas há considerações mais sérias a fazer, e coisas piores a relatar. O homem no fundo é um animal selvagem e terrível. Nós o conhecemos unicamente no estado subjugado e domesticado, denominado civilização: por isso nos assustam as eventuais erupções de sua natureza. Porém, onde e quando a trava e a cadeia da ordem jurídica se rompem, e se instaura a anarquia, se revela o que ele é. Entrementes, quem deseja se esclarecer a respeito também sem uma tal oportunidade, pode colher a comprovação de que o homem não deve crueldade e intransigência a nenhum tigre ou hiena a partir de centenas de relatos antigos e modernos. Um exemplo de importância plena do presente é fornecido pela resposta obtida pela sociedade antiescravista britânica à sua pergunta sobre o tratamento dispensado aos escravos nos Estados escravistas da federação norte-americana, da sociedade antiescravista norte-americana, no ano de 1840: Slavery and the internal Slavetrade in United states of Northamerica: being replies to questions transmitted by the British Antislavery-society to American Antislavery-society! (Londres, 1841, 280 páginas). Este livro constitui uma das acusações mais graves contra a humanidade. Ninguém tirará as mãos do livro sem espanto, poucos sem lágrimas. Pois o que o seu leitor pode jamais ter ouvido ou imaginado sobre a infeliz situação dos escravos, e sobre a dureza e crueza humanas em geral, parecerá irrisório ao ler como aqueles demônios em figura humana, estes patifes religiosos, freqüentadores de igreja e rígidos observadores do sábado, e entre eles inclusive os sacerdotes anglicanos, tratam seus inocentes irmãos negros, que por injustiça e violência caíram em suas garras diabólicas. Este livro, que consiste em relatos secos, porém documentados, revolta todo o sentimento humano em um grau tal que, com o mesmo na mão, poder-se-ia pregar uma cruzada para subjugar e castigar os Estados escravistas da América do Norte. Pois formam uma mancha vergonhosa para toda a humanidade. Um outro exemplo do presente, já que o passado a muitos não mais parece válido, está contido nas Viagens de Tschudi ao Peru,1846 (Tschudi’s reisen in Peru), na descrição do tratamento dado aos soldados peruanos pelos seus oficiais. Contudo não há que buscar os exemplos do Novo Mundo, esta outra face do planeta. Tornou-se conhecido no ano de 1848 que na Inglaterra, não uma vez, mas, em curto espaço de tempo, talvez cem vezes, um cônjuge envenenou o outro, ou ambos em comum os filhos, um após o outro, ou então os levou à morte pela fome e maus tratos, unicamente para receber das sociedades funerárias (burial clubs) os custos do enterro assegurados em caso de morte, para cujo fim haviam registrado uma criança em muitas, até vinte, destas sociedades simultaneamente. Veja-se a este respeito o Times de 20, 22 e 23 de setembro de 1848, jornal que por este motivo insiste na supressão das sociedades funerárias. Repete a mesma acusação com maior veemência no dia 12 de dezembro de 1853.

É claro que relatos deste tipo pertencem às páginas mais negras nas atas criminais da humanidade. Mas a origem disto e de todo similar é a essência interna e inata do homem, deste deus kat’exokhén [por excelência] dos panteístas. Em cada um se aninha inicialmente um egoísmo colossal, a ultrapassar com a maior facilidade os limites impostos pelo direito; tal como se depreende da vida diária, à minuta, e da história, num enfoque mais amplo. Pois já não reside na reconhecida necessidade do equilíbrio europeu tão temerosamente vigiado o fato de o homem ser uma fera, que, tão logo vislumbrando um mais fraco, infalivelmente o ataca? E isto não é cotidianamente confirmado pelas menores coisas? Contudo, ao egoísmo de nossa natureza ainda se alia um estoque existente de ódio, raiva e maldade, reunidos, como o veneno no receptáculo do dente da cobra, aguardando apenas a oportunidade para vir à tona, para então qual demônio libertado bramir com fúria e devastação. Não encontrando nenhum grande motivo, finalmente utilizará o mais ínfimo, ampliado por meio da fantasia.

(...)

Portanto, no coração de cada um repousa efetivamente um animal selvagem, apenas à espera de uma oportunidade para bramir com fúria e devastação, na pretensão de prejudicar outros e mesmo, quando se lhe opõem, de aniquila-los; aqui se origina todo o prazer guerreiro e combatente, e justamente isto, para ser domado e mantido em determinados limites, requer a ocupação integral do conhecimento, seu zeloso acompanhante. Em todo caso, denominemo-lo mal radical, o que servirá ao menos àqueles para quem uma palavra substitui uma explicação. Eu, porém, afirmo: é o querer-viver, que, amargurado mais e mais pelo contínuo sofrimento da existência, procura aliviar seu próprio padecimento causando o dos outros. Mas por este caminho ele lentamente se desenvolve na maldade e crueldade propriamente ditas. Também podemos observar aqui que como, segundo Kant, a matéria existe somente através do antagonismo das forças de expansão e de contração, assim a sociedade humana apenas através daquelas, do ódio, ou da ira, e do medo. Pois a odiosidade de nossa natureza tornaria cada um uma vez em assassino, se não fosse dotado de uma suficiente dose de medo, para restringi-la a limites; e por outro lado, este sozinho o transformaria em motivo de troça e brincadeira por parte de qualquer criança, não mantivesse nele a ira, prontidão e vigília.

A pior feição da natureza humana permanece sendo o deleite pela desgraça alheia, porque estreitamente aparentada à crueldade, se distingue propriamente desta apenas como a teoria da prática, e localizando-se precisamente onde deveria ser o lugar da compaixão, que, como seu oposto, constitui a verdadeira fonte de toda genuína justiça e amor pela humanidade.

(...)

Quando, como feito aqui, enfocamos a maldade humana, e ficamos horrorizados, devemos lançar os olhos à miséria da existência humana; e igualmente, quando esta nos choca, dirijamo-nos àquela: perceberemos que elas se mantêm em equilíbrio, e nos damos conta da justiça eterna, ao notar que o mundo é seu próprio juiz, iniciando por compreender por que tudo que vive deve expiar sua existência, primeiro na vida e depois na morte. Destarte, o malum poenae coincide com a malum culpae. Por este mesmo enfoque também se perde a indignação pela incapacidade intelectual da maioria, que tantas vezes na vida nos causa repugnância. Portanto miseria humana, nequitia humana e stultitia humana se correspondem reciprocamente com perfeição, neste Sansara dos budistas, e são de dimensões idênticas. Por uma motivação especial, encaremos mais de perto uma entre elas, e a examinemos em detalhe; logo parecerá maior do que as outras; mas isto constitui uma ilusão, e simples conseqüência de suas proporções colossais.

Eis Sansara, e tudo em seu interior o anuncia: mais do que tudo, porém, o mundo dos homens, em que moralmente dominam a maldade e a infâmia, intelectualmente a incapacidade e a estupidez, em medidas assustadoras. Contudo nela se apresentam, embora esporadicamente, mas sempre de novo a nos surpreender, manifestações da franqueza, da bondade e mesmo da generosidade, e também do entendimento abrangente, do espírito pensante, e mesmo do gênio. Estas nunca se extinguem completamente: brilham ao nosso encontro quais pontos luminosos isolados da grande massa escura. Devemos tomá-las como garantia de que existe um princípio bom e redentor neste Sansara, que pode atingir o rompimento, e preencher e libertar o todo.

(Arthur Schopenhauer, Parerga e Paralipomena, § 114)

8 comentários:

Anônimo disse...

Achei meio ilógico o aparente otimismo do último parágrafo.
Mesmo que exista um "prncípio bom e redentor" e que, suponhamos, a partir de determinado dia, toda a "maldade" e sofrimento deixem de existir no mundo e reine uma felicidade eterna para todas as criaturas da terra, esta felicidade não vale o preço do sofrimento que foi pago para que os eventos à tornassem possível.

Mesmo que tivéssemos certeza de que em 7 dias tudo se tornaria (de forma surreal) bom e perfeito à todos daquele dia em diante, seria mais proveitoso destruír o mundo para poupar os mais azarados do sofrimento que passariam em uma semana.

Não me parece certo carregar alguma moralidade por ter esperança. O mais moral que alguém pode ser é ter desejo de destruír o mundo para evitar maiores desabores.

Duan Conrado Castro disse...

“Achei meio ilógico o aparente otimismo do último parágrafo.
Mesmo que exista um "prncípio bom e redentor" e que, suponhamos, a partir de determinado dia, toda a "maldade" e sofrimento deixem de existir no mundo e reine uma felicidade eterna para todas as criaturas da terra, esta felicidade não vale o preço do sofrimento que foi pago para que os eventos à tornassem possível.

”Mesmo que tivéssemos certeza de que em 7 dias tudo se tornaria (de forma surreal) bom e perfeito à todos daquele dia em diante, seria mais proveitoso destruír o mundo para poupar os mais azarados do sofrimento que passariam em uma semana.”

Sim, concordo plenamente. Somente vale lembrar o seguinte: para Schopenhauer – e ele repete isso várias vezes na sua obra principal, inclusive no último capítulo (71) – a “libertação”, a “redenção”, EM HIPÓTESE ALGUMA é um estado de conciliação entre a vida e o sofrimento, EM HIPÓTESE ALGUMA é uma “existência feliz” (estilo paraíso dos cristãos). Não: ele deixa bem claro (e infelizmente hoje não estou com acesso aos livros dele para lhe dizer exatamente onde ele faz isso, mas se puder ler o cap 71 já citado, por favor o leia) que essa libertação é a EXTINÇÃO COMPLETA E TOTAL DO MUNDO, restando apenas O NADA. E é isso para mim que o torna o filosofo do pessimismo, pois ele não cai na tentação de querer vaticinar uma vida sem dor: é impossível conciliar egoísmo e virtude, da mesma forma é impossível ao indivíduo viver sem sofrer. A dor está essencialmente ligada à vida, “toda vida é sofrimento” (cap 56 do “Mundo como...”).

Porém o próprio Schopenhauer parece duvidar até mesmo da possibilidade dessa lúgubre libertação: Em um capítulo do segundo tomo de sua obra principal (aquele dedicado à morte, depois eu postarei a citação inteira aqui) ele afirma que se o tempo fosse capaz de trazer alguma mudança real, ela já teria ocorrido, pois já se passou um tempo infinito até os dias atuais, suficiente para que tudo que é capaz de acontecer acontecesse. Dessa forma, até essa libertação pessimista não seria possível. Caímos, assim, no eterno retorno, sem qualquer chance de escapatória, sem qualquer descanço.

Eu penso que Schopenhauer gostava de acreditar, para pelo menos se prender a alguma esperança, nesse desaparecimento definitivo do mundo no nada, mas que ele, no fundo, sabia que isso é mais uma utopia vã.

”Não me parece certo carregar alguma moralidade por ter esperança. O mais moral que alguém pode ser é ter desejo de destruír o mundo para evitar maiores desabores.”

Com relação à destruição do mundo, recomendo a leitura dos capítulos 34 (setembro) e 28 (julho) desse blog. Scopenhauer, porém, não concordaria com a sua afirmação (nem com as minhas nesses capítulos). No capítulo 69 do primeiro tomo de sua obra principal, capítulo que trata do suicídio, ele deixa claro que nehuma destruição física é capaz de trazer uma libertação verdadeira, pois essa destruição física apenas elimina o fenômeno, mas não a coisa em si, “que como coisa metafísica apenas pode ser suprimida pelo conhecimento”. Como a coisa em si está fora do tempo ela, em verdade, não pode conhecer modificação. O que aconteceria é que, iluminada pelo conhecimento de si mesma, ela simplesmente deixaria de produzir o fenômeno do mundo, que é sua manifestação. Como nós somos esse mundo, e como nós apenas podemos conhecer a coisa em si na medida em que ela se manifeta em nós e nesse mundo, para nós a negação da vontade leva o mundo ao nada, e em vão nos perguntamos se a coisa em si passa ou não a adotar uma nova forma de manifestação (novamente sugiro a leitura do cap 71 mencionado acima).
Como para Schopenhauer a essência do mundo é o “querer viver” disso decorre que a vida, longe de ser um fenômeno raro, É SIMPLESMENTE INEVITÁVEL e se manifesta sempre que se lhe oferecem AS MÍNIMAS condições possíveis. E é essa vida mesma que nós conhecemos, não uma outra idealizada (a estilo paraíso cristão ou super-homem de Ouspenski) essa vida que o “querer viver” quer. Dessa forma seria vão propor – e aqui estou apenas repetindo Schopenhauer - uma eliminação física da humanidade, do planeta ou mesmo do universo: se a coisa em si não for conduzida, via ascetismo, a negação de si mesma os fenômenos do universo da vida – e mesmo o fenômeno da vida humana – se repetiriam novamente à primeira oportunidade que pudessem aparecer. Com relação ao suicídio o raciocínio é análogo: ele não elimina a coisa em si, mas sim o fenômeno, sendo que é justamente a mortificação pelo sofrimento da qual o suicida foge que pode guiá-lo à mortificação da vontade e portanto à libertação. Schopenhauer compara o suicida a alguém que desiste de um doloroso tratamento médico que seria capaz de curá-lo completamente.

Duan Conrado Castro disse...

Eis a citação que eu estava lhe devendo:

"Se por suas próprias forças o tempo pudesse conduzir-nos a um estado bem-aventurado, então lá já estaríamos há muito tempo, pois um número infinito de séculos se estende atrás de nós. Mas também se tempo pudesse conduzir-nos à destruição, então há muito tempo não seríamos mais.(...)nos é tão impossível sair da existência quanto do espaço."

(cap XLI do Tomo II do Mundo como vontade e como representação: da morte e sua relação com a indestrutibilidade do nosso ser-em-si)

Gabriel P. Kugnharski disse...

Estranho, parece que não estou mais tão em sintonia com o pensamento do Schopenhauer. Na verdade eu penso o seguinte: analisando a vida no sentido mais profundo possível, concordo com ele. De fato, o sofrimento é intrínseco, nossos desejos acabam sempre culminando numa Vontade que é, ela mesma, sem-fundamento, e qualquer euforia deve ser compreendida apenas como um intervalo na infinita correnteza do desespero (como a Sarah Kane bem expressa, coloquei no meu álbum do orkut inclusive: "Aquilo que às vezes eu penso ser o êxtase é só a ausência de angústia").

Mas eu tenho pensado ultimamente, e veja o que você acha: sou contra o suicídio, por diversas razões. Ou seja, acredito que apesar de todo esse sofrimento, devemos, nem que apenas por curiosidade, continuar vivendo. Então prefiro recorrer às análises materialistas e históricas de nossas angústias, tal como você faz no cap.VII, para quem sabe descobrirmos que grande porcentagem do sofrimento humano é proveniente de diversos elementos de má qualidade: política, economia, etc...
Quer dizer, não podemos acabar com o sofrimento, mas podemos lembrar que há uma certa diferença entre o sofrimento de um finlandês e o sofrimento de um serra-leonês. Então é possível sofrer menos. É claro que Schopenhauer, com toda sua profundidade de pensamento, talvez questionasse: "mas sofrer menos PRA QUÊ? Afinal..." De fato, a vida humana é curtíssima, sua ausência não causa mal nenhum pra ninguém (pelo contrário RS), mas simplesmente aceitar que estamos imersos num caos por uma Vontade que não tem fundamento algum e que consequentemente não há nada que possamos fazer me parece de um niilismo tão... suicida mesmo.

Gabriel P. Kugnharski disse...

E ainda assim não acho que estou sendo otimista, estou falando apenas de viver com um pouco de qualidade, entende?

Duan Conrado Castro disse...

Entendo a sua opinião, e até concordo que é possível viver apenas por “curiosidade”, afinal, ao se matar você já sabe que é o fim (a menos que tenha dúvidas quanto a isso, e, como agnóstico, é conveniente ter mesmo).

Veja o que Herbert Marcuse diz na introdução de Ideologia da sociedade industrial:

“Assim, qualquer teoria crítica da sociedade defronta, logo de início, com o problema da objetividade histórica, um problema que surge nos dois pontos em que a análise implica julgamentos de valores:

1) o julgamento de que a vida humana vale a pena ser vivida, ou melhor, pode ser ou deve ser tornada digna de se viver [como sabemos – Matheus - Schopenhauer nega que a vida possa em essência mudar (ver p. ex. § 35 do Tomo I d’ “O mundo...” quando ela fala da “idéia do homem”). A ausência da relevância da História na filosofia schopenhauriana é essencial para que ele pudesse de fato julgar e condenar a vida em geral como sendo contraproducente para sempre, para sempre porque em essência e porque para ele, junto com o livro de Eclesiastes, a História não pode trazer nada de novo]. Este julgamento alicerça todo esforço intelectual; é apriorístico para a teoria social, e sua rejeição (que é perfeitamente lógica) rejeita a própria teoria [social, como, aliás, ocorre em Schopenhauer!]

2) o julgamento de que, em determinada sociedade, existem possibilidades específicas de melhorar a vida humana e modos e meios específicos de realizar essas possibilidades. (...)”


Mas aí eu lhe pergunto: tá legal, você já optou por não se matar, mas optará um dia por ter filhos? Como Schops coloca no § 60 do tomo I do MVR, ter filhos é a afirmação definitiva do querer-viver, é “um consentimento renovado à vida”, é como assinar em baixo.

Duan Conrado Castro disse...

Obs. Eu copiei essa citação que eu escrevi na comunidade do Orkut "Obras filosóficas em debate" (tópico: "A vida como um bem"), por isso ela está enderaçada ao tal Matheus.

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=95936293&tid=5433630660742002614

Duan Conrado Castro disse...

O Movimento de Extinção Humana Voluntária: http://www.vhemt.org/pindex.htm