sábado, 15 de maio de 2010

CV - Acerca do papel político conservador do vídeo motivacional “Filtro solar” (um mero exemplo do que ocorre recorrentemente indústria cultural)

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§ 105




A familiarização dos assalariados foi um processo histórico bem prolongado (e não particularmente feliz) que tem de ser renovado com a incorporação de cada nova geração de trabalhadores à força de trabalho. A disciplinação da força de trabalho para os propósitos de acumulação de capital - um processo a que vou me referir, de modo geral, como "controle do trabalho" - é uma questão muito complicada. Ela envolve, em primeiro lugar, alguma mistura de repressão, familiarização, cooptação e cooperação, elementos que têm de ser organizados não somente no local de trabalho como na sociedade como um todo. A educação, o treinamento, a persuasão, a mobilização de certos sentimentos sociais (a ética do trabalho, a lealdade aos companheiros, o orgulho local ou nacional) e propensões psicológicas (a busca da identidade através do trabalho, a iniciativa individual ou a solidariedade social) desempenham um papel e estão claramente presentes na formação de ideologias dominantes cultivadas pelos meios de comunicação de massa, pelas instituições religiosas e educacionais, pelos vários setores do Estado, e afirmadas pela simples articulação de sua experiência por parte dos que fazem o trabalho. (David Harvey, A condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural, capítulo 7)




Continuando com a discussão sobre a cultura de massas (iniciada no capítulo 100), o presente texto é dedicado ao curta-metragem motivacional Filtro solar.

Para quem tiver paciência de ler a letra inteira, ela está disponível em http://letras.terra.com.br/pedro-bial/138161/







Esse vídeo reúne clichês de auto-ajuda que expressam a ideologia dominante na sociedade atual. Não por acaso, esse vídeo é usado em reuniões “motivacionais” nas empresas (seções de doutrinação ideológica, lavagem cerebral, e reprodução da alienação). Aliás, por que as pessoas precisam ser motivadas no ambiente de trabalho? Porque é mais eficiente persuadi-las do que coagi-las, porque elas vão trabalhar mais (quantitativa e qualitativamente) se acreditarem que o fazem em seu benefício próprio, e não em benefício de quem lhes alugou a força de trabalho (aliás, esse padrão de transformar o sacrifício individual em favor de outrem - da coletividade, do sistema, etc. - em um sacrifício em favor do sofredor (satisfazendo, assim, o seu egoísmo - e assim justificando para si mesmo esse sofrimento) se repete nos padrões motivacionais, como eu já falei, p.ex., no capítulo LIII desse blog). Noutras palavras, pela motivação no trabalho as pessoas são convencidas a ver como interesse seu o que é o interesse de outrem e que, a rigor, está em conflito com o real interesse delas (não ser exploradas - exploração que efetivamente ocorre na produção e no consumo). Em uma palavra, a motivação no ambiente de trabalho é uma manipulação.

Primeiramente, qual é a função social que esse vídeo exerce? Não é difícil notar – muito menos depois de tudo o que eu já escrevi nesse blog, em especial nos últimos cinco capítulos – que esse vídeo tem por meta reproduzir historicamente o establishment. Noutras palavras, o vídeo tem um papel de conservação e reprodução da ideologia vigente, para que o establishment político e econômico mantenha-se tal como está. O vídeo, por acaso, nos fala das contradições e problemas do mundo atual e nos convida a transformá-lo? Não. Ao contrário, a polissemia angustiante do mundo desapareceu e foi substituída por uma falsa unidade. As contradições de nossa realidade histórica foram amputadas da realidade e estão ausentes no vídeo. O vídeo, por exemplo, nada nos diz sobre a mais-valia, sobre o funcionamento do sistema financeiro (que cobra juros sobre o empréstimo de recursos que não são seus, o que obviamente é uma aberração jurídica desconhecida da maioria das pessoas); sobre a produção de necessidades no capitalismo; sobre o despotismo do capital; sobre a luta de classes; sobre o imperialismo econômico e militar; sobre as centenas de pessoas que morrem diariamente no mundo de fome ou por doenças facilmente curáveis; sobre a prostituição e o tráfico de pessoas, crianças e órgãos; sobre a história da exploração do homem pelo homem; sobre a concentração de propriedade e de renda no mundo; sobre a exploração dos animais; sobre a degradação da natureza, etc., etc. Toda essa realidade complexa e contraditória está simplesmente ausente no filme. Ele não nos convida a transformar a realidade porque simplesmente ele não vê nada de errado com ela, portanto não há o que transformar: eis o seu papel conservador. A realidade histórica atual é subsumida como inevitabilidade histórica, ou, antes, como natureza.

O filme não se dirige ao espectador como coletividade, mas sim como um indivíduo que busca satisfazer seus desejos egoístas. Como não há realidade social a ser transformada (mas sim a ser reproduzida), o filme se dirige ao indivíduo, e a própria coletividade é entendida como um amontoado de indivíduos cada qual buscando seus próprios interesses: "cada um por si e Deus por todos". É evidente que é impossível transformar a realidade presente sem pensar coletivamente. Mas como o objetivo do filme é reproduzir a ideologia vigente (a qual, por sua vez, justifica a reprodução do establishment), então ele se exime de buscar um discurso coletivista – ou melhor, cria uma falsa coletividade, justamente para não vislumbrar a possibilidade de um outro tipo, emancipador, de coletividade.

Vejamos a letra da música (Everybody's Free, de Rozalla - o próprio nome da música já adianta o seu conteúdo mentiroso) que é reproduzida duas vezes no vídeo:

Irmão e irmã,
Juntos vamos conseguir superar
Algum dia,
Um espírito vai pegá-los
E guiá-los até lá
Sei que vocês vêm sofrendo
Mas venho esperando
O momento de ajudá-los
E estarei lá para dar uma força
Sempre que eu puder
Todo mundo é livre

Ora, que coletividade é essa mencionada no vídeo ("irmão e irmã")? É uma formada por indivíduos que agem “cada um por si e Deus por todos” (está mais para um casal de enamorados - uma família - do que uma coletividade). Quem é essa entidade que promete ajudar “sempre que puder”, mas que vem "esperando o momento" certo [provavelmente nunca]? Provavelmente é deus, o destino, a natureza. Fazem-se promessas fazias: "algum dia [quando?] um espírito [quem?] vai pegá-los [como?] e guiá-los [como?] até lá [onde?]". Em vez de nos conclamar a nos responsabilizarmos por nosso destino e a nos unir para lutar para realizar uma transformação efetiva da realidade concreta na qual estamos inseridos, o filme nos conclama a fazer exatamente o que já fazemos: cada um buscar os seus próprios interesses mantendo a esperança de que um dia alguém (deus, o destino, etc.) virá resolver os problemas da humanidade e os nossos próprios problemas pessoais. Evidentemente, não é com esse tipo de comportamento que iremos transformar a realidade miserável e contraditória na qual estamos inseridos. Por acaso, a título de exemplo, a mensagem do filme não é a mesma presente nessas duas músicas da indústria cultural apresentadas a seguir?

Tudo pode ser, se quiser será
O sonho sempre vem pra quem sonhar
Tudo pode ser, só basta acreditar
Tudo que tiver que ser, será

Tudo que eu fizer
Eu vou tentar melhor do que já fiz
Esteja o meu destino onde estiver
Eu vou buscar a sorte e ser feliz
Tudo que eu quiser
O cara lá de cima vai me dar
Me dar toda coragem que puder
Que não me falte forças pra lutar
Vamos com você
Nós somos invencíveis, pode crer
Todos somos um
E juntos não existe mal nenhum
Vamos com você
Nós somos invencíveis, pode crer
O sonho esta no ar
O amor me faz cantar, faz cantar
(...)
(Xuxa - Lua de cristal; composição Michael Sulivan)
http://letras.terra.com.br/xuxa/73705/

Eu já passei
Por quase tudo nessa vida
Em matéria de guarida
Espero ainda a minha vez
Confesso que sou
De origem pobre
Mas meu coração é nobre
Foi assim que Deus me fez...
E deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu...
Só posso levantar
As mãos pro céu
Agradecer e ser fiel
Ao destino que Deus me deu
Se não tenho tudo que preciso
Com o que tenho, vivo
De mansinho lá vou eu...
Se a coisa não sai
Do jeito que eu quero
Também não me desespero
O negócio é deixar rolar
E aos trancos e barrancos
Lá vou eu!
E sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu...
(...)
(Zeca Pagodinho - Deixa a vida me levar; composição: Serginho Meriti.)
http://letras.terra.com.br/zeca-pagodinho/49398/


Uma letra de música que parece descrever a nossa condição humana de forma muito mais verdadeira é a seguinte (existem muitas outras, é claro, mas foi essa que me veio à cabeça no momento):

Superstition taking all of us for a ride Mimes overtaken by the signs of
the Right The bombs are falling overhead with no sight While you are
talking all detached, so tell us

Where you going
To the bottom
Do you hear us
We are rotting

We're going down in a spiral to the ground No one, no one's gonna save
us now

Ceremonies have killed religions for they provide The masked comforts to
delusionals, they're all in fright The true believer's head was bathed
in sunlight While you are walking all detached, so tell us

Where you going
To the bottom
Do you hear us
We are rotting

We're going down in a spiral to the ground No one, no one's gonna save
us now Not even God, no one saved us No one's gonna save us

Where do you expect us to go when the bombs fall?
Where do you expect us to go when the bombs fall?
Where do you expect them to go when the bombs fall?
Where do you expect us to go when the bombs fall?

Superstition taking all of us for a ride Mimes overtaken by the signs of
the Right The bombs are falling overhead with no sight While you are
talking all detached, detached, detached, detached, detached

Going down, in a spiral to the ground
No one, no one's gonna save us now
Not even God, no one saved us, no one saved us
No one saved us, no one's gonna save us now

Where do you expect us to go when the bombs fall?
(SOAD - Tentative; composição: Daron Malakian/Serj Tankian)

Outra música que eu lembrei agora e que não poderia deixar de citar aqui é a seguinte:

Woo...
I'm ahead, I'm a man
I'm the first mammal to wear pants, yeah
I'm at peace with my lust
I can kill 'cause in God I trust, yeah
It's evolution, baby
I'm at peace, I'm the man
Buying stocks on the day of the crash
On the loose, I'm a truck
All the rolling hills, I'll flatten 'em out, yeah
It's herd behavior, uh huh
It's evolution, baby
Admire me, admire my home
Admire my son, he's my clone
Yeah, yeah, yeah, yeah
This land is mine, this land is free
I'll do what I want but irresponsibly
It's evolution, baby
I'm a thief, I'm a liar
There's my church, I sing in the choir
(hallelujah, hallelujah)
Admire me, admire my home
Admire my son, admire my clothes
'Cause we know, appetite for a nightly feast
Those ignorant Indians got nothin' on me
Nothin', why?
Because... it's evolution, baby!
I am ahead, I am advanced
I am the first mammal to make plans, yeah
I crawled the earth, but now I'm higher
2010, watch it go to fire
It's evolution, baby
It's evolution, baby
Do the evolution
Come on, come on, come on

(Pearl Jam - Do the Evolution; composição Stone Gossard/Eddie Vedder)







Voltando ao Filtro solar, de onde o autor do vídeo inferiu que nossas escolhas têm sempre 50% de chance de dar certo, como as escolhas de todo mundo? Vemos aqui novamente uma utilização tosca do princípio do terceiro excluído como forma de construir uma racionalização reducionista que elimina a angustiante complexidade do real, a polissemia do mundo. Que bela reflexão sobre a vida! Aliás, vemos implícita nessa reflexão uma das mais fortes crenças burguesas e conservadoras: a de que todos têm oportunidades iguais, e que, portanto, a sociedade é justa e todos os desajustados são responsáveis por seus erros e devem ser condenados (negando-se assim a existência da exploração de classe, da exclusão social, das relações assimétricas de poder, etc.).

Quando o filme afirma que o corpo é nossa principal ferramenta, ele está reproduzindo a visão capenga do senso comum que separa o corpo da mente, a alma da carne, que concebe o eu como uma coisa em si independente da realidade material na qual está inserido (conforme já discutido no capítulo XCIX). Ora, nós não estamos "presos" num corpo que é nossa ferramenta, ao contrário, nós somos esse próprio corpo.

Quando o vídeo faz menção ao comportamento tão comum das pessoas de imaginarem que no passado o mundo era melhor do que no presente, ela aponta acertadamente para esse erro tão recorrente, o qual, aliás, é prova de quão pouco as pessoas amadurecem durante suas vidas (ao ponto de morrem velhas e "maduras" acreditando em um monte de mentiras). Todavia, o vídeo, coerentemente aos seus objetivos alienantes, rapidamente usa esse fato para incutir o conformismo e a passividade política.

As referências ianques à Nova Iorque e ao Havai (ou Califórnia, na versão original) são óbvias demais para eu perder tempo criticando (o Bial nem para usar cidades brasileiras em sua versão tupiniquim...). Essas referências sugerem, novamente, ao espectador que viva num permanente processo de esquecimento dos aspectos negativos da vida, abolindo assim toda a contradição do mundo real em favor dum mundo açucarado, risonho e cor-de-rosa. Novamente, é esse tipo de comportamento que as pessoas já adotam rotineiramente: o conselho dado nada mais é do que uma afirmação dos erros tão comuns e tão cansadamente vividos.

O filme afirma que não vai nos dizer o que fazer, mas que vai nos dar "conselhos". A única orientação supostamente balizada pela ciência é a de que usemos filtro solar. Mas por que essa é a única orientação que ele pode nos dar baseado na ciência? Por que não nos diz que devemos tomar dois litros de água por dia? Ou que devemos usar óculos escuros? Ou que devemos usar fio dental (o que é dito, mas não repetido insistentemente como o caso do filtro solar)? Ou que devemos nos alimentar bem? Ou que devemos praticar exercícios? Ou tantas outras orientações possíveis? Será que o vídeo foi patrocinado por alguma empresa produtora de filtro solar? Será que ele é uma peça publicitária de filtro solar disfarçada de vídeo de auto-ajuda? Talvez. Mas, antes disso, o uso do filtro solar é um mero álibi, um mero recurso poético, para, na verdade, realizar um discurso que aglutina a ideologia dominante e presente no senso comum – aglutinação que é o objetivo do filme. Os "conselhos" que ele vai nos dar são seu real objetivo. Ele diz que não precisamos segui-los se não o quisermos, mas não diz que a maioria das pessoas não terá problemas em concordar com eles pelo simples fato de serem ideologia dominante e senso comum. O discurso de "pense positivo" do filme é a mesma "lei da atração" (do livro O segredo) reproduzida incessantemente nos livro de auto-ajuda. Aliás, o "real" objetivo do filme – e da própria auto-ajuda – não é nos dar dicas, não é nos persuadir a nos comportarmos de maneira mais condizente com nossos interesses: novamente, isso é um mero álibi para a reprodução do establishment, da ideologia vigente, do discurso hegemônico, para a afirmação de que "tudo está bem como está, e se você não concorda é porque o problema está em você". O filme não pretende mudar o nosso comportamento, mas, ao contrário, reproduzi-lo, não pretende mudar nossos hábitos, mas sim fornecer um discurso que nos permita mantê-los exatamente como são. O que ele nos sugere fazer é justamente o que já fazemos, que é justamente o que toda literatura de auto-ajuda e todo o senso comum nos diz para fazermos. O filme visa a calar a boca dos descontentes, daqueles que reclamam da vida: "a vida é ótima, o problema não está no mundo, mas sim em você", "pare de reclamar e vá lutar pelo o que é seu". Ou, como diz o ditado popular (e a música sertaneja que o repete): "a vida é dura só para quem é mole". Evidentemente, preocupar-se com todos os problemas coletivos, em vez de lutar por seus próprios interesses, faz parte da "moleza" qualificada pelo ditado popular. A mensagem do filme é essa: "Não há nada de errado com o mundo (por isso pense positivo), pare de reclamar (de pensar negativamente) e vá atrás dos seus interesses, cuidando de você e das pessoas que você ama (amigos e alguns familiares), e mantendo sempre a esperança de que algum dia as coisas vão melhorar". Ou seja, nada é dito sobre a coletividade, sobre a transformação do mundo, sobre a resolução das contradições atuais, sobre a redução do sofrimento dos explorados e excluídos, sobre – numa palavra – a emancipação humana. Eis seu papel conservador.

No fim o autor do vídeo dá um conselho que pode ser aplicado ao próprio vídeo, de tal forma que temos aqui uma espécie de auto-crítica que fala por si mesma:

Cuidado com os conselhos que comprar,
mas seja paciente com aqueles que os oferecem.
Conselho é uma forma de nostalgia.
Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo,
repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.

Interpreto que o processo de "reciclagem" descrito nas duas últimas estrofes é uma referência inconsciente ao próprio processo pelo qual o autor, e junto com ele a auto-ajuda e tantos outros produtos da indústria cultural, desmonta a complexidade angustiante do mundo e monta, para substituí-la, uma falsa unidade ideológica, que vem a ser uma utopia burguesa na qual o conflito e as contradições sociais foram para sempre abolidos, a qual por fim é apresentada como descrição da realidade.





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Tempore, quo cognitio simul advenit, amor e medio supersurrexit.

6 comentários:

Henrique disse...

A sociedade moderna em geral, principalmente em suas manifestações mais potentes, como na política e na arte, tendem ao apelo ao indivíduo atomizado, "livre" - segundo esse conceito negativo de liberdade que alavanca o indivíduo a um patamar "mais elevado" que a coletividade em si, e trata a própria vinculação dele à coletividade como sinal de retrocesso, fraqueza de vontade - e com isso pregam uma espécie de idealismozinho horrivelmente vagabundo e infantilizante. O fato é que um indivíduo dissociado de sua classe ou grupo social seja lá de que tipo for, tende sempre a se tornar um joguete nas mãos de OUTRO grupo social, que vai moldá-lo e transformá-lo em "exemplo de superação" ou outras aberrações circenses dessa espécie. Mas a coisa é mais profunda que isso... enfim, não vou me estender.
No mais, admiro o seu blog e sim, identifico-me com vários dos seus textos.

Duan Conrado Castro disse...

Belas colocações. Por que você está tão preocupado em achar que eu vou responder com agressividade? Eu pareço tão agressivo e arrogante assim?

Daniela disse...

Seu blog é excelente!!!!!!!!!!!!!!!

Gabriel P. Kugnharski disse...

puts, quando penso no quanto abomino a ideia de destino e de ideias fatalistas/deterministas (não sei definí-las muito bem na verdade...), as duas primeiras músicas que vem na minha cabeça: essa que você citou do Zeca Pagodinho e a do skank "vou deixar a vida me levar pra onde ela quiser..." que aliás é descaradamente mais absurda ainda.

Enfim, suas críticas são sempre ótimas mas esta aqui achei especialmente bem escrita (se é que há de fato alguma separação nítida entre forma e conteúdo).

Por ora não lerei a do Anticristo porque quero vê-lo antes, imagino que você revele o desfecho dele no texto e tudo mais...

Duan Conrado Castro disse...

Sim, o cap 106 contém spoilers. Com relação à música do Skank, vc tem razão, ela é bem "pesada" mesmo...Quando escrevi o texto não me lembrei dela, além disso achei convenientemente agressivo citar uma música da "rainha dos baixinhos", hehe.

Duan Conrado Castro disse...

Autocrítica:

Assim como a autoajuda é ingênua ao prescrever uma transformação moral como gatilho para a transformação social, igualmente é ingênuo e utópico acreditar que a mera denúncia contra o charlatanismo da autoajuda seria suficiente para eliminá-la. O que é realmente necessário é eliminar as condições sociais estruturais que determinam a oferta e a demanda dessa mercadoria.

Uma das formas de efetuar essa eliminação é pelo transhumanismo, particularmente pelo aumento artificial a inteligência multividual (eliminando assim, pela raiz, a demanda por essas ingenuidades).