sábado, 23 de janeiro de 2010

XCIV - Acerca de uma tentativa de responder à pergunta "quem eu sou?". Criado para ser usado como "esclarecimento" no Blogspot, no Orkut, etc.

.
.
.


§ 94




Se você ainda não me conhece, está na hora de saber a verdade sobre mim.

Sou uma coleção contingente de milhares de algoritmos integrados a um banco de dados construído cumulativamente numa existência efêmera e em permanente transição. Sou um macroaglomerado celular dotado de um tele-encéfalo altamente desenvolvido (porém aquém da minha presunção) e de dois polegares opositores, e, animado por impulsos volitivos, participo duma intrincada rede de trocas energético-informacionais-vibracionais subsumida, e/ou não (maldito princípio do terceiro excluído!), às leis apriorísticas do princípio da razão suficiente, transpassada por uma cotidianidade reificada que é estilhaçada pelo consumo conspícuo de mercadorias produzidas e distribuídas por uma sociedade que precisa se ultrapassar mistificadamente enquanto cultura de massas como forma de efetuar a catarse da prisão auto-imposta em que se meteu diante do despotismo pantagruélico e jamais saciado do capital. Tudo isso na multifacetada superfície dum pálido ponto azul [A vida nada mais é do que uma fina camada de mofo sobre a superfície da Terra. Schopenhauer] que gravita em órbita elíptica, a 30 km/s, em torno dum pequeno reator de fusão nuclear localizado há 8 minutos-luz de distância média do referido ponto, reator esse que é apenas um dos 200 bilhões reatores existentes num universo com idade estimada em 13,7 bilhões de anos. Estou submetido às emissões de partículas alfa, beta, raios gama, e radiações eletromagnéticas originadas por campos elétricos e magnéticos variáveis em constantes e recíprocas induções que se propagam no continuum tetradimensional do espaço-tempo dum universo holográfico de infinitas possibilidades e propriedades complexas e indefinidas e, no mais, inacessíveis às minhas racionalidade e intuição limitadas. Se analisado por aceleradores de partículas, sou meus hádrons, elétrons, léptons, mésons, bósons, fótons, quarks, e tantas outras partículas ainda não catalogadas que dançam numa ciranda cósmica semi-caótica e livre das imposições do princípio da razão suficiente. [Eu sou todas as criaturas, e inexistem seres exteriores a mim. Upanixades]

Sou um funcionário gama qualquer, surtado, frustrado, complexado e quase sempre à beira da insanidade completa e do colapso total [A loucura é como a gravidade: basta um empurrão! Coringa], que se esforça há anos, com progressivo e tragicômico sucesso, para com pragmatismo viver um dia de cada vez, se resignar com a própria mediocridade [Não é a pobreza que causa a dor, mas sim a cobiça. Epícteto] - pois é preciso prender bem os pés no chão, mesmo que seja para manter a cabeça nas nuvens [And this just feels like spinning plates/ I'm living in cloud cuckoo land. Thom Yorke] -, não me matar, bem como conviver amigavelmente com os vícios (e vitudes...) alheios [Todos tem suas próprias razões. Legião Urbana. A paz é mais importante. Duan Conrado]. Sou uma engrenagem medíocre, anêmica e mal-azeitada do maquinismo capitalista tupiniquim cambaleante e pouco schumpeteriano. Sou um outsider esquizóide na multidão apática da modorrenta Curitiba [O outsider é alguém que despertou para o caos. Colin Wilson]. Sou uma bizarra mistura latino-americana e pós-moderna de Schopenhauer, Marx, agnosticismo, algumas pitadas de teorias da conspiração, pretensões generalistas enciclopédicas condenadas à frustração, y muchas otras cositas más, ¡arriba! E eu gosto de beijar rapazes, sodomizá-los e embundar suas rolas, afinal ninguém é de ferro [Somos feitos de carne mas temos que viver como se fôssemos de ferro. Freud].Vivo no dealbar desse novo milênio numa sociedade terceiro-mundista inserida cambaleantemente numa rede de produção, distribuição, e consumo global organizada em torno de flexíveis mecanismos de acumulação do capital de propriedade principalmente de algumas poucas empresas mais ricas que países, bem como dos banqueiros, cujo dinheiro já comprou o mundo inteiro há muito tempo (quiçá, segundos depois do Big Bang).






Mas quem eu sou realmente? Isso eu não sei...Quando (e se) um dia eu souber eu juro que lhe conto! [Eu preciso andar um caminho só, vou buscar alguém que eu nem sei quem sou. Rodrigo Amarente].Talvez você descubra alguma coisa sobre mim (se leu até aqui é porque deve estar interessad@, não?) no meu blog: http://outsidercaos.blogspot.com/ (sei, você já está nele).

Enquanto isso, eu elevarei minha fronte altiva à abóboda celeste, eu vou voar como os ventos e vou fluir como um rio, dançando no caos à beira do abismo, conforme a melodia do momento, mas sempre com a convicção – embora eu saiba que não existem garantias (eu inclusive posso morrer a qualquer momento) – de que esse presente medíocre e humano, demasiado humano, não é o meu fim, mas apenas o meu começo.

E blá, blá, blá, blá ...etc. [Insira aqui mais frases de efeito que falam muito e dizem muito pouco]. É mais ou menos isso que eu acho que eu sou, ou melhor, estou sendo agora (00:04, - 3GMT, horário brasileiro de verão, do dia 23/01/2010 d.C. do Calendário Gregoriano), pois amanhã já serei um pouco diferente disso (ou muito diferente, pois, afinal, alguns pequenos e raros momentos, como já comprovou a matemática do caos, podem mudar as nossa vidas para sempre, para melhor ou para pior). Por isso não me trate como se eu fosse algo eterno e imutável, embora eu possa geralmente desenvolver comportamentos maquinais previsíveis e descritíveis com relativo sucesso por um conjunto discreto de algoritmos.

Esse texto foi composto por associação livre, e por isso pode revelar conteúdos inconscientes reprimidos (se é que o inconsciente existe – eu não tenho certeza de nada!). [Tudo é incerto, e até mesmo a certeza da incerteza é incerta. Ou não. Duan Conrado Castro]

[E sobrevindo o conhecimento, ao mesmo tempo do seio das coisas se elevará o amor. Upanixades]








***

Tempore, quo cognitio simul advenit, amor e medio supersurrexit.

19 comentários:

adriano disse...

você é uma máquina! uma máquina com ego!

mas eu ainda não tinha encontrado uma dessas por aí, então vou começar a estudar o que você fica imprimindo.

Duan Conrado Castro disse...

Fique à vontade. E eu concordo com essa sua observação.Veja o q eu escrevi no cap IV: que eu sou "uma sacolejante máquina de pensar e calcular"...

Gabriel P. Kugnharski disse...

Belíssimo texto. Contudo, acho que você precisa extrapolar mais as suas interioridades, as quais você manteve um pouco à margem nesta confissão. Mas eu sei que isso é um bocado difícil.

Duan Conrado Castro disse...

Gabriel.
Sim, vc não é o primeiro a me dizer isso.

Duan Conrado Castro disse...

A esquizofrenia na pós-modernidade (por David Harvey no cap. 3 do livro “A condição pós-moderna”).

O relato do pós-modernismo que esbocei até agora parece depender, para ter validade, de um modo particular de experimentar, interpretar e ser no mundo – o que nos leva ao que é, talvez, a mais problemática faceta do pós-modernismo: seus pressupostos psicológicos quanto à personalidade, à motivação e ao comportamento. A preocupação com a fragmentação e a instabilidade da linguagem e dos discursos leva diretamente, por exemplo, a certa concepção da personalidade. Encapsulada, essa concepção se concentra na esquizofrenia (não, deve-se enfatizar, em seu sentido clínico estrito), em vez de na alienação e na paranóia (ver esquema de Hassan). Jameson (1984b) explora esse tema com um efeito bem revelador. Ele usa a descrição de Lacan da esquizofrenia como desordem lingüística, como uma ruptura na cadeia significativa de sentido que cria uma frase simples. Quando essa cadeia se rompe, “temos esquizofrenia na forma de um agregado de significantes distintos e não relacionados entre si”. Se a identidade pessoal é forjada por meio de “certa unificação temporal do passado e do futuro com o presente que tenho diante de mim”, e se as frases seguem a mesma trajetória, a incapacidade de unificar o passado, o presente e o futuro na frase assinala uma incapacidade semelhante de “unificar o passado, o presente e o futuro da nossa própria experiência biográfica ou vida psíquica”. Isso de fato se enquadra na preocupação pós-moderna com o significante, e não com o significado, com a participação, a performance e o happening, em vez de com um objeto de arte acabado e autoritário, antes com aparências superficiais do que com raízes (mais uma vez, ver o esquema de Hassan). O efeito desse colapso da cadeia significativa é reduzir a experiência a “uma série de presentes puros e não relacionados no tempo”. Sem oferecer uma contrapartida, a concepção de linguagem de Derrida produz um efeito esquizofrênico, explicando assim, talvez, a caracterização que Eagleton e Hassan dão ao artefato pós-moderno típico, considerando-o esquizóide. Deleuze e Guattari (1984, 245), em sua exposição supostamente travessa, Anti-Édipo, apresentam a hipótese de um relacionamento entre esquizofrenia e capitalismo que prevalece “no nível mais profundo de uma mesma economia, de um mesmo processo de produção”, concluindo que “nossa sociedade produz esquizofrênicos da mesma maneira como produz xampu Prell ou os carros Ford, com a única diferença de que os esquizofrênicos não são vendáveis”.

mundo estranho. disse...

acho que me identifiquei um pouco. (acho que me identifico com todo mundo, na real..)

Patricia disse...

parabéns tu é um ser complexo e único! bjos

henriquebuhrer disse...

Identifico-me com muito do que você diz ( digita ), realmente me sinto à vontade com suas reflexões, cara... Li 2 ou 3 posts hoje ( são 3 da manhã ) e pretendo continuar lendo amanhã. Não concordo com alguns de seus posicionamentos ( duvido que isso represente um insulto ) mas também não estou disposto a convencer ninguém...haha
De qualquer forma, despertou minha admiração, pensava que alguém assim não existia... talvez eu SEJA SAUDÁVEL!!! ( Sarcasmo inofensivo )

Duan Conrado Castro disse...

Henrique,
Fique à vontade. Tudo que você comentar eu me obrigarei a responder, mas também não abuse da minha paciência...XD

Anônimo disse...

"sugestões" niilistas em radiohead: http://lquoos.blogspot.com/2010/05/algumas-musicas-quase-conseguem.html

Acerca da Sensação de Irrealidade, Escapismo e as Alucinações Gerais de Uma Cotidia Utopia - I Parte: http://outsidercaos.blogspot.com/2010/01/xciv-acerca-de-uma-tentativa-de.html

Máximas: http://lquoos.blogspot.com/2010/10/maximas.html

Anônimo disse...

Ops...

http://lquoos.blogspot.com/2010/06/acerca-da-sensacao-de-irrealidade.html

Duan Conrado Castro disse...

Bem...é a internet, que posso fazer? Se ele quer ficar com "o direito autoral", que fique (não vai conseguir nada, a não ser alguns elogios dos miguxos). Como "ele" mesmo disse, tudo que se populariza se vulgariza (aliás, a frase nem é minha também, acho que isso é um lugar comum, não?).

Quem leu o contrato do Blogspot sabe que o verdadeiro proprietário do conteúdo dos blogs é o Google.

Aliás, pensei em várias vezes postar um aviso no blog dizendo que qualquer um poderia copiar o conteúdo que eu posto e fazer com ele o que quisesse, afinal "toda a propriedade é um roubo, principalmente a propriedade do conhecimento".

Perto dos textos dele, eu até pareço um gênio...Parece que eu estou virando um "corruptor da juventude". E que público eu atrairia com esse blog senão basicamente adolescentes? Ele tem um looongo caminho a seguir até a "maturidade". Eu também; se estou na frente, é porque devo ter uns 10 anos a mais que ele.


"discursar de forma complexa sobre o mundo em que vivo"

KKKKKKK

Sabe qual é o nome disso? É fetichismo, fetichismo intelectual. Eu fiquei preso nisso durante anos, a diferença é que eu realmente tinha a ganância de criar ALGO ORIGINAL, ALGO APENAS MEU. Mas fui percebendo que o fetiche intelectual é um fetiche tão mesquinho quanto a corpolatria.

"e também serão encontradas outras idéias e pensamentos meus aqui, já que o tema principal não existe, assim como a conclusão."

Embora ele fale em fragmentação, ainda está preso a pensamentos lineares (a própria linguagem dele (nas partes não plagiadas) é típica de um adolescente que não ultrapassou a lógica linear). Para alguém REALMENTE perder a linearidade de pensamento é preciso se perder em uma superposição de diferentes discursos de mundo e tentar de alguma forma encaixá-los dentro de uma totalidade orgânica. O que ele evidentemente não fez ainda (e nem parece muito motivado a fazer).

Duan Conrado Castro disse...

"que postarei de acordo com meu tempo e realização do meu perfeccionismo."

Se isso aí é perfeição, imagina o resto. Não é perfeição, é vaidade estúpida (sem autocrítica).


Quanto às partes em que ele praticamente repete literalmente o que eu disse, é lamentável, não porque ele está "roubando as minhas idéias", mas porque ele está mentindo para os outros e para ele mesmo. Onde está "a autocrítica da razão" que "é a sua mais autêntica moral" (Adorno)? Espero que ele amadureça. Ele está engando a si mesmo, por vaidade, para posar de intelectual maldito. Se a pessoa (nesse caso, adolescente) não tem idéias próprias mas quer passar por inteligente, o que fazer senão plagiar os outros?

Quantos anos será que ele tem? 12? Talvez tenha até mais...Gostaria de acreditar que tem uns 12, assim eu poderia acreditar que ele vai ainda evoluir muito.

“[ coloque aqui uma frase confusa que diga muito e não signifique nada ]”
O blog dele se resume a isso: um adolescente que busca gratificação em um fetichismo intelectual. O fetichismo intelectual é um caminho fértil a se seguir, muitos conseguem até viver dele, para outros ele é apenas uma fase da adolescência.

Por fim, um outsider com 72 seguidores nesse blog raso??? É evidente que esses seguidores são amigos da escola e talvez de outros grupos (clube, vizinhos, etc.). Um outsider de verdade não tem 72 seguidores, a menos que o blog fosse algo extremamente original e bem trabalhado. O meu blog tem 26 seguidores, e nenhum deles é meu amigo de escola ou de qualquer outro grupo.

O que falta é a AUTOCRÍTICA. E isso geralmente é o mais difícil: essa é a verdadeira via crucis. Muitos passam a vida sem percorrê-la. Ninguém que REALMENTE SE RESPEITA vai se enganar desse jeito (plagiando descaradamente blogs alheios para posar de outsider pseudo-intelectual maldito para os amigos).

Lucas C. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Duan Conrado Castro disse...

Lucas,

Todos nós temos defeitos e fraquezas, e admitir já é um ótimo começo (tem gente que chega à velhice sem nem mesmo fazer isso).

Eu não vou ficar escarafunchando o seu blog para descobrir que há mais alguma coisa, mais um ou outro parágrafo plagiado...Não sei quem é esse anônimo que veio aqui me alertar.

Com relação ao "eu era infantil" apenas saliento para você tomar cuidado para não achar que já não possui mais vícios ou defeitos...As pessoas, mesmo adultas, estão cheias de defeitos, vícios, fraquezas, etc. Então é sempre necessário se policiar, se autocriticar, para não cair vítima do narcisismo cego e ingênuo que vitima tanta gente por aí. Nenhum de nós está imune a recaídas ou a cair em armadilhas mais sutis que estão armadas aos montes no "jogo da vida".

Lucas C. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Duan Conrado Castro disse...

Tudo bem. Sério. Você está indo muito bem. Parabéns.

Uma vez eu achei um outro blog que copiou um texto meu sem citar a fonte, ou melhor: dizendo que a fonte era o Colin Wilson. Daí um postei um comentário dizendo que era meu o texto, não do Wilson.
Daí sabe o que o cara fez? Simplesmente apagou sem dizer nada.

O fato de você vir aqui e pedir desculpas, nossa, eu realmente não esperava. Para mim isso já é prova de que "você não é tão ruim assim".

Por exemplo, esse babaca com o qual eu bati boca no capítulo 107. Esse sim é um "caso perdido". O cara tem 34 anos (e não os 16 que vc deve ter) e ficou batendo boca comigo só porque ficou ofendido com um scrap que eu deixei no Orkut de um amigo comum a nós dois e que nem se referia ao otário.

Foi um bate-boca ridículo, só porque o crianção ficou ofendido com algo totalmente alheio ao capítulo 107. Até eu perceber que as discussões e ofensas dele não tinham nada a ver com o conteúdo do capítulo, mas sim eram uma reação emocional a um scrap que nem era para ele ou sobre ele...E veja, o cara tinha 34 anos e era, supostamente, um "adulto".

Lucas C. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Duan Conrado Castro disse...

Como eu postei no cap 109.144, quem se arrepende erra duas vezes. Isso significa mais ou menos a mesma coisa que o lugar comum “não adianta chorar pelo leite derramado”. Ou seja: se já reconhecemos que erramos, não adianta se arrepender (ficar se martirizando, se sentindo culpado, querendo ser castigado, etc.), pois isso só vai aumentar nosso sofrimento. Então o que resta é reconhecer que errou, aprender a lição e ir em frente, sem ficar remoendo o passado.

Se fosse há alguns anos atrás, eu provavelmente iria ser bastante agressivo com você, mas eu já aprendi a lição (tão repedida nos textos de autoajuda, mas também nos de eudemonologia e estoicismo) de que alimentar o ódio (no caso, contra você) só vai aumentar o meu próprio sofrimento (além do seu também).

Além disso, se eu ficasse lhe ofendendo isso iria colocá-lo na defensiva e iria dificultar enormemente que você reconhecesse que estava sendo imaturo e enganando a si mesmo.

Não precisa ficar se martirizando, que o martírio é um resquício religioso, da educação repressiva que recebemos dessa sociedade doente.

Temos que abandonar esse resquício babilônico de que "o pecado deve ser expiado com sangue", bem como o Código de Hamurabi (olho por olho, dente por dente), que contamina a moral religiosa e do senso comum. E olha que o Código de Hamurabi (válido até hoje em alguns países islâmicos) já era uma evolução, pois antes não só o criminoso pagava, mas também sua família.

Voltando à autoajuda, só o amor constrói. (Eu dizendo isso! Quem diria...) Se eu mostrasse ódio contra você, iria dificultar que você "aprendesse a lição". Eu poderia ter sido indiferente e nem ter me dignado a responder ao anônimo. Mas eu pensei: "vou tentar ajudar o garoto a crescer, vai que isso ajuda ele a se livrar de sofrimentos futuros, sofrimentos que eu já sofri porque não havia ninguém para me orientar."