sábado, 21 de fevereiro de 2009

LII - Acerca de um "ensaio" sobre o filme Magnólia ocorrido na data de 25/06/2003 - Flashback # 4.

.
.
.

§ 52





You should’ve never trusted Hollywood. (Serj Tankian, Lost in Hollywood)


Esporadicamente, Hollywood produz filmes que escapam à regra: são bons. É o caso de Magnolia (EUA. 1999).

Mas, o que o faz bom? É que essa obra de arte (e assim podemos denominá-lo sem mentira ou usura) não possui como única - única - preocupação o mero e frugal entretenimento: a fuga da realidade, que permite ao consumidor-espectador se libertar, efemeramente, dos grilhões de seu cotidiano medíocre e mecânico. Essa fuga de si mesmo é o objetivo de quase todos os produtos engendrados por Hollywood.

A outra preocupação do filme em questão é a reflexão, a discussão de idéias. Em verdade, não são as questões mais transcendentes do universo; mas são, sim senhor, questões - e isso já basta. O espectador é convidado á reflexão, à ação - e não somente à absorção passiva.

O leitor pode argumentar que todos os filmes estadunidenses possuem e transmitem idéias, já que essas são tão necessárias quanto inexoráveis ao enredo. Isso é verdade. Todavia, as idéias são, em geral, clichês (com destaque ao american way of life) - para que o consumidor-espectador se atenha preponderantemente à história, podendo, assim, abstrair-se melhor de si mesmo.

Já dizia Dostoievski que a obra literária (e me incumbo, àqueles que julgarem necessário, de estender seu dito ao cinema) apenas está completa quando produz o conflito, e, até mesmo, o desconforto no interlocutor.

Talvez Magnolia produza no espectador não-frívolo (aquele que já assistirá ao filme buscando analisá-lo) apenas um mero, ou até agradável, desconforto. Porém, desconforto mero e/ou agradável é melhor que desconforto nenhum.

Uma obra em dissonância com a grande parte de seus irmãos "hollywoodianos", Magnolia não é apenas bela: é como a flor que nasceu em uma esterqueira; ou numa valeta (escolha o leitor a comparação que lhe aprouver).





***

Tempore, quo cognitio simul advenit, amor e medio supersurrexit.

2 comentários:

Gabriel P. Kugnharski disse...

Interessante. Aluguei certa vez esse filme mas não tive tempo de terminar de assistir, acho que exagerei porque aluguei uns 8 filmes de uma vez só e obviamente alguns acabaram deixados de lado...
Mas até onde vi, gostei.

Duan Conrado Castro disse...

Esse texto é da minha fase “adolescente”, escrevi ele com 15 anos. Mas a crítica contra a alienação promovida pela indústria cultural já estava presente aí. Essas idéias crítica sobre essa indústria foram amadurecidas (embora ainda possam amadurecer bem mais) e estarão presentes nos capítulos 100 a 105.

Com relação ao Magnólia, é uma pena que você não tenha assistido até o final, pois nele acontece algo totalmente inesperado.