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Tempore, quo cognitio simul advenit, amor e medio supersurrexit.
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Nas igrejas onde não reina o fundamentalismo, é comum a saudável idéia de que a história de Adão e Eva é apenas um mito, um texto poético e simbólico.
Em Lucas 3, 23-38 temos a transcrição da genealogia de Jesus Cristo. E qual não é a nossa surpresa - como indivíduos razoáveis e não fundamentalistas - em ler, ao versículo 38, a conclusão da genealogia: "e Cainã, de Enos, e Enos de Sete, e Sete, de Adão, e Adão, de Deus"?
Diante dessa colocação, o indivíduo não fundamentalista, que sabe ser impossível a sustentação factível del cuento de Adão e Eva, e que sabe que seria estupidez sustentar que, também aqui, numa descrição de genealogia, esse texto, também, estaria eivado de "linguagem figurativa", pode fazer duas afirmações: ou o autor desse texto acreditava que a história dos primeiros capítulos de Gênesis era verdadeira - o que é aceitável para a época dele, mas é ridículo atualmente - ; ou ele sabia que era mentira - como realmente é - mas colocou assim mesmo no evangelho para mostrar seu compromisso com o Pentateuco.
As duas hipóteses perfazem uma grave consideração: ou a Bíblia mente descaradamente, ou a Bíblia contém uma mentira lá colocada pela ingenuidade do autor do evangelho de Lucas. Um indivíduo sensato terá que considerar, das duas, uma, o que, invariavelmente, cria dúvidas sobre a veracidade de qualquer afirmação extraordinária do sacro livro (como os milagres e as profecias). Se inventaram isso, por que não teriam inventado, também, outras coisas? Se se enganaram aí, por que não teriam, também, se enganado em outras passagens?
2.7. O livre-arbítrio
Um dos muitos conceitos controvertidos do cristianismo e da teologia é o tal do "livre-arbítrio" (1). Esse conceito ganhou maior destaque com a ascensão do protestantismo, na tentativa de adequar os dogmas religiosos à realidade burguesa.
Não obstante a história de Adão e Eva ser um mito (não para um fundamentalista), há nela um exemplo do suposto livre-arbítrio, o qual, aliás, exerce um papel fundamental na tentativa de dar alguma coerência a essa história mal contada. Se não houvesse livre-arbítrio, não seria possível ter-se cometido o pecado original, o qual consistiu na desobediência a deus.
Observe a contradição de tudo isso: se é livre para obedecer ou não, e se não obedecer haverá castigos horríveis e que se estenderão por milênios (ou mesmo por toda a eternidade). E tudo isso porque deus é perfeito e não admite conviver com o pecado, ou, em outras palavras, porque ele é mimado e não admite ser contrariado. Isso é típico de Jeová: atire nas pernas, depois "ofereça" (isto é: imponha sob ameaças de danação eterna) aulas de sapateado. Além disso, Jeová não explicou quais seriam as terríveis conseqüências do pecado; ele apenas disse "para que não morrais" (lembrando que presumivelmente, Adão e Eva nem mesmo sabiam o que era a morte). Convenhamos, se Jeová tivesse dado uma explicação melhor das conseqüências funestas do pecado da desobediência, se ele tivesse mostrado todo o sofrimento e morte que isso acarretaria, se ele tivesse explicado sobre os planos maquiavélicos de Lúcifer (o qual "se infiltrou" (mas deus não é ONISCIÊNTE?) no Jardim do Éden para cumprir sua missão de levar a humanidade à rebelião contra deus), se tivesse feito tudo isso, dizia eu, é razoável supor que Adão e Eva não seriam estúpidos o bastante para desobedecê-lo. Mas ele não fez nada disso. Para um ser perfeito, esse seu comportamento é bastante negligente e propositadamente ingênuo. (3) E nem venha me dizer que deus estava "testando" a sua criação, porque senão eu vou repetir: mas deus não é ONISCIÊNTE? Um ser onisciente não precisa testar nada nem ninguém, pois ele já sabe tudo ex ante. Jeová já sabia que a sua criação era imperfeita e suscetível à enganação e à rebelião: qualquer imbecil saberia o que o homem faria com seu livre-arbítrio no contexto no qual ele foi posto para viver.
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1 (nota para esse blog) Outros capítulos desse blog que mencionam o livre-arbítrio e a história do pecado original: XXXVI, XXXVII e LXVI.
2 (nota do texto original) Que liberdade há em Êxodo 14:4? O próprio deus "endurece o coração" do faraó (o qual, supunha-se, nem precisaria desse artifício, já que ele era um adorador de Mamon - já por aqui percebe-se que a fundamentação da moral NÃO ESTÁ em Jeová) para depois castigá-lo (e castigá-lo duramente) por ter agido em conformidade com alguém que está com o coração endurecido. Aparentemente, o faraó e todo o povo do Egito apenas serviu de joguete para que Jeová demonstrasse o seu poder para o "povo escolhido", e tudo isso por baixo de uma falsa moralidade, que exige um "pecado" (nem que seja na marra) para depois exigir um castigo.

E sonhou: e eis que era posta na terra uma escada cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela. (Gênesis 28:12)
Essa é apenas uma das muitas passagens bíblicas, e qualquer um que lê o "sacro livro" atentamente sabe disso, que apresentam a seguinte idéia: deus vive, LITERALMENTE, no céu. Tal mensagem está por todo texto bíblico, inclusive no Novo Testamento, como se fosse uma verdade consumada. Não é por acaso que, até hoje, "céu" é utilizado por alguns como sinônimo de "paraíso".
Pensar que as divindades viviam no céu é algo extremamente lícito para a época em que foram escritos os textos bíblicos. Mas atualmente as coisas são bem diferentes.
É difícil de acreditar, eu sei, mas mesmo hoje muitos cristãos - aqueles mais ignorantes - ainda têm em seu subconsciente a visão de um céu-paraíso. Isso é testemunha do quanto "a massa" continua ignorante e infantilizada. E mesmo quando el pueblo é apresentado à educação formal, ele insiste em não aplicar os conhecimentos aprendidos para questionar as "verdades" bárbaras da religião.
Mas o conceito de paraíso, por ser mais difuso e não especificar um local espacial, não deixa de ser problemático: ele nega a própria Bíblia, que todo tempo insinua, não adianta o leitor insistir que não, que deus vive no céu, o que era aceitável na época em que esses textos foram escritos, mas que hoje é, convenhamos, ridículo e estúpido. Novamente a imagem da Bíblia como a fonte da "verdade" fica maculada.
Este paraíso possui localização ignota: ou está nos confins do universo, ou está em um "universo paralelo", ou em "outra dimensão", ou, por fim, em qualquer lugar imaginável onde possa existir uma ordem de coisas diferente daquilo que conhecemos como "mundo material".
É muito fácil empurrar o esconderijo do nosso deus para cada vez mais longe, à medida que a evolução do conhecimento científico prova que eles não se encontravam onde outrora se pensou. Os deuses gregos não viviam no topo de um monte em cujo cume ninguém conseguia chegar (Olimpo)? É claro que você não vai ficar surpreso se eu lhe contar que ninguém mora no topo dessa montanha... Porém, há um problema em tentar levar a localização do paraíso para "outra dimensão" ou para "um universo paralelo". Novamente, a religião tenta se apropriar de conceitos científicos para tentar consertar um erro dela que a própria ciência demonstrou e jogou-lhe na cara.
O conceito científico de dimensões não possui ligação com "outro lugar", mas sim com "outra dimensão". Segundo as teorias físicas recentes baseadas nas p-branas, estas outras dimensões estariam acessíveis APENAS à força gravitacional, e um universo paralelo poderia surgir como resultado da influência dessa força, através dessas outras dimensões, sobre um conjunto de massa amorfo.
A pretensão de colocar o paraíso em uma "outra dimensão" ou em um "universo paralelo" é uma forma estapafúrdia de insistir no mesmo erro, mesmo depois de provada a sua incorreção.
Alguns, por outro lado, negam a existência de "um lugar" onde deus e os eleitos fiquem (perceberam que querer submeter deus ao espaço-tempo é patético): o paraíso seria o conjunto de divindades espirituais benévolas; assim, ele não seria espacial, e portanto não estaria em lugar algum.
De forma análoga, a Igreja Católica afirmou recentemente que o inferno não existe enquanto "um lugar", mas que ele se caracteriza por um estado de sofrimento causado exclusivamente pela "ausência de Deus". Então, imagino que qualquer um que já viva sem deus já esteja, de certa forma, no inferno, ou bem perto dele. O tal do "Deus" seria, pelo jeito, alguém tão ardiloso, arrogante e malvado que nos deu uma certa configuração "espiritual" feita para nos castigar com um grande sofrimento (tão grande que recebe o nome de "inferno") caso nós decidamos usar o nosso "livre-arbítrio" para nos afastarmos dele, que se julga o nosso senhor e legítimo proprietário. Essa "liberdade" com a qual o rapaz nos brindou se assemelha a uma escravidão. Depois não sabem por que Lúcifer teria se rebelado, e teria se rebelado junto com dois terços dos anjos - convenhamos, é improvável que dois terços de todas as criaturas angelicais teriam se voltado contra seu próprio criador se não houvesse motivos legítimos para fazê-lo.
Algo semelhante ocorre com os conceitos de "espírito" e "alma". Se o leitor não sabe, "psicologia" quer dizer estudo DA ALMA. Ocorre que até pouco tempo, a mente e a alma eram entendidas como uma mesma coisa. Mas agora, que os estudo científicos se apropriaram da "mente" enquanto objeto, a religião descobriu (como?) que o ser humano é um ser material, mental E ESPIRITUAL.
Eles não vão desistir tão facilmente da sua ignorância.
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Atenção: Como eu já disse no § 46, esse texto foi escrito em 2002, quando eu tinha 16 anos. Muito do que está escrito aqui já não representa com exatidão a minha atual forma de pensar. Porém creio que o texto ainda pode ser útil para aqueles que atualmente vivem situações (de apostasia) semelhantes às que eu vivi à época em que escrevi isso.
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Tempore, quo cognitio simul advenit, amor e medio supersurrexit.
2.3. Ilusões sensoriais
Imagine que o leitor já vivenciou, em algum breve momento de sua vida, um dos dois fenômenos, senão ambos, que descreverei. É possível que tenha que se esforçar para lembra-se deles - de tão irrelevantes que eles são atualmente.
Às vezes somos acometidos, em um momento qualquer, por um chiado ou zumbido em nossos ouvidos. Às vezes, também, temos pequenas e sucintas deformações nas imagens que vemos do mundo à nossa volta; luzes fortes (brancas ou coloridas) podem nos fazer "névoas" (cujas cores são o inverso da cor da luz inicial), e manchas, as quais surgem em nosso campo de visão e quando nos movemos para enquadrá-las melhor elas "fogem" (se movem junto conosco).
Atualmente esses fenômenos são irrelevantes; e ninguém civilizado, espero eu, deve duvidar que são respostas fisiológicas à alguma ação do meio (na verdade eu sei que há gente que não sabe disso). Porém, quem garante que, no passado, quando não havia conhecimentos biológicos e tampouco aparelhos audio-visuais - que dissipam, com seu dinamismo e colorido, a nossa atenção a esses pequenos acontecimentos -, estes fenômenos não eram interpretados de forma animista como verdadeiras manifestações de espíritos, como o eram os ventos, a chuva, etc.?
2.4. A imutabilidade de deus
Todo o texto de Deuteronômios capítulo 32 é assustador, com destaque para:
"39. Vede, agora, que eu, eu o sou, e mais nenhum deus comigo; eu mato e eu faço viver; eu firo e eu saro; e ninguém há de escapar da minha mão.
"(...) 41. Se eu afiar a minha espada reluzente e travar do juízo a minha mão, farei tornar a vingança sobre meus adversários e recompensarei os meus aborrecedores.
"42. Embriagarei as minhas setas de sangue, e a minha espada comerá carne; do sangue dos mortos e dos prisioneiros, desde a cabeça, haverá vingança do inimigo."
Qual não é a surpresa do leitor ao saber que quem pronuncia estas palavras é nada mais nada menos do que o velho e bom Jeová? Sim, o mesmo cuja benignidade dura para sempre.
Em todo o Velho testamento é construída a imagem de um deus vingativo, irado, ciumento, e que apenas possui alguma (pouca) compaixão para com o seu povo eleito. Como explicar que, de repente, uma figura transcendental, um ser que existia antes mesmo dele ter criado o tempo e o espaço, mude as suas características como a moça muda de vestido?
Acreditar que o sacrifício de deus a si mesmo trouxe nova esperança é uma coisa. Mas é demais acreditar que esse mesmo deus, para não contrariar os princípios e regras por ele criados e válidos para a sua criação (não para ele), se dividiu em três partes, duas das quais ganharam características que ele não possuía e que esqueciam seu pacto com o povo judeu (advogando uma salvação universal), modificando assim as características de um ser eternos. Como um ser eterno que está fora do tempo pode mudar?
Atenção: Como eu já disse no § 46, esse texto foi escrito em 2002, quando eu tinha 16 anos. Muito do que está escrito aqui já não representa com exatidão a minha atual forma de pensar. Porém creio que o texto ainda pode ser útil para aqueles que atualmente vivem situações (de apostasia) semelhantes às que eu vivi à época em que escrevi isso.
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Tempore, quo cognitio simul advenit, amor e medio supersurrexit.
2.1. Introdução



Diante do abismo, a escuridão infinita do nada, a princípio, aterroriza. Todavia, em pouco tempo, a exposição ao vazio, que,aliás, sempre esteve ali, à espreita, mas não era intuído, é tão desgastante que o outsider, se conseguir, tarefa difícil, sobreviver a si mesmo (e talvez seja melhor ser um insider e morrer de uma vez), perde o medo pois, agora, e pela primeira vez na história da vida universal, não tem mais nada a perder; ao contrário: tem um nada a ganhar.