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§ 92

Povo em fila.
Fazenda Rio Grande
As nuvens transpassam o horizonte
O tempo escorre como azeite derramado
O vento carrega o pressentimento da morte
Caixa Econômica Federal
O povo adentra à agência bestializado
Parece gado na fila do matadouro
O mecanismo da porta giratória transcende à compreensão
À medula espinhal não cabe entender
Ninguém espera que algo mude
Sem redenção
O descalabro
A mais crassa ignorância
A rotina
Amputação, necrose
Vômito ao chão...
Nada falta para compor as negras cores do cenário
Espetáculo trágico,
Diante do qual Portinari ver-se-ia coagido a retocar " Os retirantes"

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Tempore, quo cognitio simul advenit, amor e medio supersurrexit.
