sábado, 2 de janeiro de 2010

XCII - Povo em fila (flashback # 9 - 17/05/2007)

.
.
.


§ 92





Povo em fila.


Fazenda Rio Grande
As nuvens transpassam o horizonte
O tempo escorre como azeite derramado
O vento carrega o pressentimento da morte

Caixa Econômica Federal
O povo adentra à agência bestializado
Parece gado na fila do matadouro
O mecanismo da porta giratória transcende à compreensão
À medula espinhal não cabe entender
Ninguém espera que algo mude
Sem redenção

O descalabro
A mais crassa ignorância
A rotina
Amputação, necrose
Vômito ao chão...
Nada falta para compor as negras cores do cenário

Espetáculo trágico,
Diante do qual Portinari ver-se-ia coagido a retocar " Os retirantes"





***

Tempore, quo cognitio simul advenit, amor e medio supersurrexit.