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§ 57

1.3. A educação e os fatores psicológicos
O terceiro tópico, que é mais subjetivo e difuso, ao qual me contentarei em denominar "educação e fatores psicológicos", ataca, principalmente, a maioria dos poucos intelectuais cristãos (e quando digo intelectuais refiro-me aos "verdadeiros", e não à maioria espúria e hipócrita), mas pode atacar, também, qualquer pessoas que, de certa forma, escolheu seguir a vida cristã mesmo tendo conhecimento dos muitos argumentos válidos que existem contra ela – trata-se, portanto, de um ato autêntico (conheceu-se os dois lados, não se fugiu de nenhum, escolheu-se aquele que se julgou o melhor).
Normalmente, tais fatores se desenvolvem na infância. É soberanamente difícil para alguém, por mais culto que se torne, negar o seu credo se, quando infante, viveu em família equilibrada e religiosa (com uma religiosidade igualmente equilibrada e sincera), teve vida pacata e bela, longe de conflitos familiares e sociais, longe de conhecer a miséria e o opróbrio – em suma, longe de qualquer coisa que poderia criar o mais leve vislumbre de negação da fé.
É ainda mais difícil se o infante, além de ter sido criado em um mundo de fantasia, tiver tido, em seus delírios infantis, alguma espécie de visão de anjos, santos, ou qualquer outra coisa análoga. As fantasias e mistificações repugnantes com as quais são educadas a maioria das crianças são, não tenho dúvida alguma, responsáveis pela manutenção de uma visão animista do mundo, mantendo-se assim muitas da crenças; do choque entre o mundo da infância e o mundo adulto morrem papai Noel, coelhinho da páscoa, bruxas e duendes (esses dois últimos, não para todo mundo), mas não morre deus.
A criança, principalmente por causa da educação mistificada que recebe, tem dificuldade de diferenciar o falso do verdadeiro – levando parte dessa dificuldade para a vida "adulta". Além disso, a criança pode ter tido uma série de pequenas experiências rotineiras (algumas, até, muito simples), as quais lhe são apresentadas como obra divina – o que calcifica em sua mente a religião de tal forma que razão alguma de lá a tira.
Muitas pessoas, ao conhecer argumentos que destroem sua fé, recusam-se a acreditar que a família a qual tanto amam tenha vivido, ou ainda viva, uma mentira. Negam-se a acreditar que desperdiçaram sua vida e seu tempo perante uma ilusão, a qual tanta alegria e sofrimentos lhes deu e diante da qual riram, choraram. amaram, imploraram, tremeram, etc.
1.4. Conclusão
Estes três tópicos nos ajudam a entender a permanência da fé na sociedade atual, não obstante os avanços do conhecimento humano. Eles ajudam-nos a compreender porque a maioria lastimosa dos seres humano insiste nas crenças mais tolas e repugnantes. Dessa forma, ajudam-nos a dissipar essa honesta ,porém totalmente falsa, convicção segundo a qual a "verdade" estaria com a maioria.

Atenção: Como eu já disse no § 46, esse texto foi escrito em 2002, quando eu tinha 16 anos. Muito do que está escrito aqui já não representa com exatidão a minha atual forma de pensar. Porém creio que o texto ainda pode ser útil para aqueles que atualmente vivem situações (de apostasia) semelhantes às que eu vivi à época em que escrevi isso.
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Tempore, quo cognitio simul advenit, amor e medio supersurrexit.
